domingo, 16 de maio de 2010

Bullying escolar e ato infracional (do Estatuto da Criança e do Adolescente) são a mesma coisa ?


Não. Todo ato de bullying, em geral, é um ato infracional do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas nem todo ato infracional configura bullying. 

Os atos infracionais são sempre análogos aos crimes (ex: lesões corporais, calúnia, racismo, difamação, injúria etc) ou contravenções penais (ex: pertubação do sossego alheio, etc).

Todavia, o bullying exige que os atos sejam repetitivos. Já para o ECA um ato infracional (ex: briga com socos na porta do colégio) já é configurado com um ato apenas.

Ato infracional pode gerar um processo contra o adolescente perante a vara da infância e da juventude. Dá um problema para quem quer viver livre de confusões. Então, jovem, respeite os seus colegas e evite problemas com a Justiça.

A "regra de ouro" é tratar as pessoas como queremos ser tratados.

sábado, 15 de maio de 2010

Um livro sobre bullying no ambiente de trabalho (workplace bullying)  ou assédio moral
(Li e gostei. Achei simples e muito claro, um abraço, lélio)


Autor: Souza, Jorge Dias

Editora: Novo Século - Sp

Categoria: Administração / Administração Geral

terça-feira, 11 de maio de 2010

Livro sugerido para leitura sobre o bullying entre meninas


Garota fora do jogo - A cultura oculta da agressão nas meninas, de Rachel Simons, é um livro revelador - no mínimo. Isso porque discute um assunto polêmico, o bullying, termo utilizado para definir a tiranização, a ameaça, a intimidação e a opressão exercidas por crianças e adolescentes. E mais: fala desse tema enfocando um universo que costuma ser relegado a segundo plano quando o assunto é agressão - o das meninas. Pais, professores e profissionais que lidam com crianças e adolescentes vão encontrar nessa leitura uma arma poderosa para entender e combater o problema. Resultado de um estudo pioneiro de Rachel Simons, o livro, que faz parte da série Pais, Tais e Profissionais, começou a ser elaborado de maneira informal: a partir de depoimentos de amigas da cientista política norte-americana. Quando foi publicado nos Estados Unidos, Garota fora do jogo ficou várias semanas na lista dos dez livros mais vendidos do The New York Times.

Muito se fala sobre violência nas escolas – meninos que surram colegas ou levam armas para a sala de aula. Mas e as meninas? Será que não há maldades no universo feminino infanto-juvenil? É claro que há. Só que ninguém vê. Em geral, as garotas não deixam rastros de violência, destruição e vandalismo. Sua agressividade é indireta, não-física, dissimulada. Segundo as pesquisas feitas por Rachel Simons, elas normalmente preferem usar a maledicência, a exclusão, a fofoca, apelidos maldosos e manipulações para infligir sofrimento psicológico às vítimas. Seus métodos são quase invisíveis ao olhar dos pais e professores mais atentos, já que as garotas dificilmente se metem em ruidosas rodas de briga. O mais comum é que elas atinjam suas vítimas espalhando boatos, passando bilhetinhos, disparando olhares coercivos, conspirando, jogando as colegas umas contra as outras. O bullying feminino, embora menos visível, é tão destrutivo quanto o masculino, ou até mais, pois a auto-estima da vítima é aniquilada sem que o problema seja discutido na escola, em casa, nos meios de comunicação ou no universo acadêmico.

Rachel Simmons iniciou sua pesquisa de modo informal. Ao se dar conta de que não havia bibliografia sobre o assunto, ela enviou um e-mail para todas as mulheres que conhecia, com indagações simples como "Você já foi atormentada ou provocada por outra menina? Explique como foi isso. Que influência isso teve na sua vida até hoje?". As destinatárias repassaram a mensagem para outras amigas e, em 24 horas, o correio eletrônico de Rachel ficou abarrotado de respostas emocionadas e cheias de detalhes. Isso a estimulou a debater o tema nas escolas, com meninas de 11 a 14 anos. Quando o farto material recolhido lhe deu a idéia de escrever um livro, ela decidiu passar um ano aprofundando a pesquisa em dez instituições de ensino de diferentes regiões dos EUA, entrevistando alunas, pais, professores e funcionários, enquanto promovia discussões em salas de aula. Rachel também entrevistou cerca de 50 mulheres adultas de fora do círculo escolar.

Em Garota fora do jogo, a autora explora a dinâmica da crueldade emocional entre amigas íntimas. O que faz com que uma menina conspire contra outra? E por que a vítima tem dificuldade para se desvencilhar da agressora? Muitas preferem ser maltratadas a ser ignoradas, ter falsas amigas a não ter amiga alguma. Por que elas mantêm o ciúme e a competição em segredo? Rachel Simmons aproveita para rever o conceito de garota popular, tão precioso às adolescentes. "Neste mundo, a amizade é uma arma, e a dor provocada por um grito não é nada em comparação com um dia de silêncio de alguém. Não há gesto mais devastador do que um dar as costas", explica a autora, que acredita ser tão importante discutir o bullying quanto o estupro, a violência doméstica e a saúde da mulher.

Livro: GAROTA FORA DO JOGO

Sub Titulo: A cultura da agressão oculta entre meninas

Autor: Rachel Simmons

Tradução:Talita M. Rodrigues

ISBN:85-325-1697-1

Páginas:336

Formato : 14x21

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Bullying entre meninas

O bullying entre meninas é um desafio para todos nós que militamos na causa antibullying.

Já comentei com vocês aqui no blog que a prova é essencial quando iniciamos um procedimento administrativo (dentro da escola) ou judicial (no fórum) narrando a ocorrência de bullying.

O bullying escolar "clássico" praticado entre meninos é fácil de detectar, pois deixa sinais (ex: machucados nas vítimas, alguém assiste um tapa na cabeça etc). Deixa sempre vestígios físicos e é mais fácil de provar.

O bullying entre meninas é o maior desafio de todos os bullyings, a meu ver, pois é um dos mais difíceis de ser detectado e provado (inclusive em juízo).

As agressoras, em regra geral,  não usam violência física, são dissimuladas (parecem anjos quando estão em público), utilizam de fofocas, exclusão e meios muito imperceptíveis para fazer as vítimas sofrerem.

sábado, 8 de maio de 2010

Trailer do filme "As melhores coisas do mundo" (post atualizado)


Gente, fui ao cinema e assisti o filme acima. Muito legal. Situações de bullying e cyberbullying são mostradas no cotidiano da escola do filme. Vale a pena assistir.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Palestra bullying escolar para educadores em Tumiritinga (MG), dia 06.05.10, foi um sucesso.



Agradeço à Secretária Municipal de Educação, Dra. Raquel, pelo convite.

terça-feira, 4 de maio de 2010

MP instaura dois inquéritos civis em Governador Valadares (MG) para combater o bullying na rede pública

Durante minha atuação na promotoria da infância e da juventude local instaurei dois inquéritos civis para dar início ao combate às práticas do bullying escolar em Governador Valadares (MG).

O objetivo é a assinatura de termo de ajustamento de conduta com o Município e o Estado, com o fito de implantar um plano de controle preventivo e repressivo na rede local municipal e estadual no início do segundo semestre de 2010.

Haverá duas reuniões nesta quarta-feira (dia 05.10) na sede do Ministério Público em Governador Valadares (MG) para tratar do acordo.

Em um segundo momento (em data ainda não definida) o MP pretende cobrar ações efetivas das escolas da rede particular. 

Registre-se, ainda, que a ocorrência de bullying escolar causa um vício na prestação do contrato de consumo (ensino), o que pode gerar o dever de indenizar eventuais danos materiais e morais pela escola. 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Projeto de lei criminaliza o bullying


PROJETO DE LEI Nº ________DE 2009

(DO SR. FÁBIO FARIA)



Define o crime de Intimidação no Código Penal Brasileiro e dá outras providências.





O CONGRESSO NACIONAL DECRETA:





Art 1º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, passa a vigorar com a seguinte redação.

“Capítulo V:

DOS CRIMES CONTRA A HONRA

Art. 141-A - Intimidar o indivíduo ou grupo de indivíduos que de forma agressiva, intencional e repetitiva, por motivo torpe, cause dor, angústia ou sofrimento, ofendendo sua dignidade:

Pena - detenção de um mês a seis meses e multa.

§ 1º O Juiz pode deixar de aplicar a pena:

I – quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a intimidação.

§ 2º Se a intimidação consiste em violência ou vias de fato, que por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerarem aviltantes:

Pena - detenção de três meses a um ano e multa, além da pena correspondente à violência.

§ 3º Se a intimidação tem a finalidade de atingir a dignidade da vítima ou vitimas pela raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou que seja portadora de deficiência:

Pena – reclusão de dois a quatro anos e multa. ”

I - Defina-se por Intimidação atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotadas por um indivíduo intimidador ou grupo de indivíduos intimidadores contra outro(s) indivíduo(s), sem motivação evidente, causando dor, angústia ou sofrimento e, executadas em uma relação desigual de poder, o que possibilita a caracterização da vitimização.

JUSTIFICATIVA



A Intimidação ou Bullying, palavra de origem inglesa, significa tiranizar, ameaçar, oprimir, amedrontar e intimidar. A prática já se tornou comum entre os adolescentes e adultos. Um problema que começa a ser discutido com mais intensidade diante do aumento da violência.

A preocupação com o bullying é um fenômeno mundial.

O tema desperta o interesse de pesquisadores dos Estados Unidos, onde o fenômeno de violência foge do controle.

Estima-se que até 35% das crianças em idade escolar estão envolvidas em alguma forma de agressão e de violência na escola.

No Brasil, não há pesquisas recentes sobre o bullying, muito embora seja evidente o aumento do número de agressões e atos de discriminação e humilhação em ambiente escolar.

Estudo feito pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), em 2002, no Rio de Janeiro, com 5875 estudantes de 5a a 8a séries, de onze escolas fluminenses, revelou que 40,5% dos entrevistados confessaram o envolvimento direto em atos de bullying.

No País, faltam estatísticas oficiais sobre esse tipo de agressão. Porém, diante da maior incidência de casos, algumas escolas paulistas desenvolvem, isoladamente, trabalhos de orientação sobre o assunto.

O bullying é uma forma de agressão que afeta a alma das pessoas. Pode provocar, nas vítimas, um sentimento de isolamento.

Outros efeitos são a redução do rendimento escolar e atos de violência contra e si e terceiros.

O modo como os adolescentes agem em sala de aula, com a colocação de apelidos nos seus colegas, pode contribuir para que pessoas agredidas não atinjam plenamente o seu desenvolvimento educacional. São atitudes comportamentais que provocam fissuras que podem durar para a vida toda.

Criar um estigma ou um rótulo sobre as pessoas é como pré conceituá-las, ou seja, praticar o bullying. Além de ser uma agressão moral, é uma atitude de humilhação que pode deixar seqüelas emocionais à vítima. Outros exemplos são os comentários pejorativos sobre peso, altura, cor da pele, tipo de cabelo, gosto musical, entre outros.

A iniciativa pretende ainda potencializar as eventuais diferenças, canalizando-as para aspectos positivos que resultem na melhoria da auto-estima das pessoas.

Diante do exposto, peço o apoio dos nobres parlamentares desta Casa para a APROVAÇÃO deste Projeto de Lei.

Sala das Sessões, em de de 2010.