domingo, 10 de outubro de 2010

Por que prefiro não traduzir a palavra bullying?

Eventualmente nas palestras com pais, professores, promotores, psicólogos etc que tenho ministrado Brasil afora as pessoas me perguntam o porquê de não traduzir a palavra bullying para a língua portuguesa.

Bem, no geral a literatura nacional não tem traduzido a palavra bullying também, no que tenho preferido também manter esse procedimento.

Depois de alguns anos pensando nisso cheguei a uma conclusão pessoal de que a redução para "valentão" não ajuda, pelo contrário, pode atrapalhar a correta compreensão do fenômeno.

Quando falamos do bullying, em regra, as pessoas lembram dos "valentões", pessoas que agridem outras nas escolas, que utilizam de força física, são agressivos, são ostensivos etc.

Todavia, bullying é muito mais do que isso. Não podemos nos esquecer que existe também o bullying entre meninas, que possui uma dinâmica totalmente diversa daquela praticada por meninos. No bullying entre meninas é a exclusão, fofocas, mentiras etc que vão ser os meios utilizados para fazer a vítima sofrer. 

Portanto, a simples tradução para o português  não é tão simples para se lidar com a questão. 

4 comentários:

  1. Praticantes do bulling sentem um desejo enorme de atrair a atenção dos outros. São solitários e odeiam o vazio dentro de si. Se não se tratarem, torna-se-ão auto-destrutivos.

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  2. É com certeza um obstáculo. Na minha escola as pessoas nem conhecem o estatudo da criança e do adolescente também, não vai ser fácil mudar isso, Sônia, Salvador (Bahia).

    PS - Baiano não nasce, estréia!!!!!

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  3. Sara Rosana de Jesus11 de outubro de 2010 10:48

    Seu livro é muito bom.

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  4. Quem pratica o bullying possui duas características essenciais: Tem problemas de baixa estima e baixa(ou nenhuma)expectativa de ver seus problemas resolvidos e, por incrível que pareça, também não quer que outros tenham ou passem pelos mesmos problemas que eles.
    O que normalmente vemos no bullying ?
    Em primeiro lugar, quem sofre o bullying são jovens pacatos (até demais na visão do possível agressor) e é isso que mais o irrita, pois acredita que este jovem também estará vulnerável e candidato a passar pelos mesmos problemas. É como chamá-lo vulgamente de "bocó". O praticante de bullying está tão transtornado, revoltado e descrente das boas intenções, que a forma que usa para advertir os "bocós" é sempre de forma abrupta, agressiva ou até violenta. É como se o agressor quisesse prepará-lo psicológicamente hoje, para não sofrer amanhã. O agressor nunca provoca pessoas que possam se defender, quando muito, chegam a reagir. O praticante do bullying sente-se largado e repudiado (também pudera). A escola precisa dar à estes jovens, atividades e atribuições, para que possam sentir-se úteis e fazendo parte de um núcleo qualquer, uma vês que os pais (pela falta de amor, iniciativa e experiência) já lavaram as mãos e jogaram a toalha. Sempre dá para reverter uma situação, mas é preciso que haja ambiente propício, paciência, determinação e amor (verdadeiro). Ninguém faz nada que não seja em razão de alguma coisa. Somos pelo o que somos. Fixe esta idéia.

    Amadeu Epifânio
    Projeto Conscientizar
    Viver bem é Possível !

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